Neurodivergência: Nem toda seletividade é chatice (pra comer)

Neurodivergência: Nem toda seletividade é chatice (pra comer)

Provavelmente você já ouviu no a frase: “meu filho não come quase nada”. E essa sentença é geralmente em tom de desabafo, preocupação e uma pitada de culpa. 


Nem todos são chatos pra comer

Quem nos acompanha há mais tempo leu por aqui sobre o ~paladar infantil~ em adultos relacionado a preferências alimentares e resistência em provar novos sabores. Porém, isso é bem diferente do quadro enfrentado por pacientes neurodivergentes.

Mais do que se debruçar sobre a extensa lista de alimentos recusados, é preciso entender como o cérebro deles processa o ambiente ao redor e, consequentemente, a comida. Hoje, a neurodivergência é tratada de maneira multidisciplinar, envolvendo psiquiatria, neurologia, nutrição e toda uma equipe de saúde.


A neurodivergência no Brasil 

O Censo Demográfico de 2022, por exemplo, foi o primeiro a investigar o autismo no Brasil em escala nacional, identificando cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas. Para o TDAH, estudos de revisão sistemática apontam prevalência entre 5% e 8% da população pediátrica brasileira. São números que deixaram de ser uma estatística e viraram demanda real no consultório, principalmente quando o assunto é a alimentação.


E essa tal seletividade alimentar 

A seletividade alimentar é frequente em muitas neurodivergências. Ela pode resultar em padrões muito restritos e deficiências nutricionais. No caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa condição está relacionada à forma como o sistema nervoso processa estímulos. Já no TDAH, o mecanismo é diferente, mas igualmente concreto.


Os desafios da alimentação

Alguns estudos associam dietas ricas em açúcar e aditivos ao agravamento de sintomas de hiperatividade e desatenção. Já o déficit de ômega-3, ferro, zinco, magnésio e fibras poderia piorar a função executiva e alguns sintomas. Somam-se a isso as dificuldades na rotina e o uso da comida como regulação emocional.

Por isso, o profissional de nutrição tem um papel chave no tratamento. É o nutri que vai definir estratégias individualizadas, respeitando particularidades sensoriais e ampliando o repertório alimentar com paciência e técnica, garantindo a cobertura dos nutrientes mais críticos sem transformar a refeição em um campo de batalha.


O que pode ser feito

E aqui entra uma observação prática: textura importa. Pra quem enfrenta hipersensibilidade sensorial, a forma como o alimento chega à boca é determinante. Bebidas vegetais com consistência suave e sabor neutro ou levemente adocicado têm um perfil sensorial que pode ter boa aceitação nesse contexto (alô Nude), se tornando aliadas na oferta de nutrientes que o paciente neurodivergente consegue de fato consumir. Caso a caso, com acompanhamento especializado e escuta real.





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