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Zerando o jogo (de contar calorias)

Zerando o jogo (de contar calorias)

Quem é o Bobo da história? Bobo é o mascote do aplicativo BitePal, que já registrou um pico de 400 mil downloads por mês. O segredo do ~sucesso~? Um mix de diário alimentar & bichinho virtual.   


App de contar calorias

Tal qual o primo distante tamagotchi, o guaxinim fictício depende de algumas interações para ficar feliz. E no caso desse app (e de outros parecidos), isso é feito basicamente pela contagem de calorias. O método é simples, o usuário fotografa tudo o que vai comer e a inteligência artificial estima o valor calórico daquele alimento. Também rola monitoramento de consumo de água e de macros, controle de jejum…  É a gamificação influenciando a alimentação. 


Gamificação da alimentação 

Essa pode até ser a motivação que faltava para transformar o ~chato~ processo de registro alimentar em algo divertido (e difícil de largar). Afinal, quem não faria de tudo pra deixar o personagem adotado pulando de alegria na tela do celular?


O outro lado da moeda

O problema disso é que o sucesso e o fracasso estão diretamente relacionados a números (que podem nem ser tão exato assim). Não entram na conta toda a qualidade nutricional do que foi ingerido ou o contexto da refeição. O sistema e a IA também não consideram o histórico metabólico, o estado hormonal, o nível de estresse, o ciclo menstrual ou outra informação que um nutricionista destacaria antes de preparar qualquer plano de ação. É a caloria pela caloria.


Entendendo o contexto

Um exemplo disso, o guaxinim pode torcer o nariz pra uma salada de folhas com um pouco mais de azeite, enquanto abraça uma barrinha nada clean label, mas que está dentro da meta calórica. E (in)conscientemente, o usuário vai aprendendo erroneamente  com o algoritmo que comer é um jogo matemático e que um smartphone entende mais sobre a saúde dele do que um profissional da saúde (de verdade).


Problemas do passado

Estudos científicos já identificam falhas críticas em planejamentos alimentares produzidos por chatbots, como a falta de atenção com as vitaminas e minerais. Em 2023, por exemplo,uma tecnologia batizada de Tessa acabou suspensa nos Estados Unidos após sugerir uma restrição calórica perigosa para portadores de transtornos alimentares. 


E agora?

Então, todos os aplicativos devem ser varridos do mapa? Não! Eles são e devem ser reconhecidos como ferramentas nutricionais, mas não como uma solução. Apenas um ser humano é capaz de entender a história e ocupar um espaço que Bobo nenhum conseguirá preencher.






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